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Quero dizer também, Senhor meu Deus, o que me sugere tua Escritura no que segue. E o farei sem medo. Porque direi a verdade, inspirando-me tu o que quiseste que eu dissesse a partir dessas palavras. Não creio que eu possa dizer a verdade se outro que não tu me inspirar, pois tu és a verdade, e todo homem é mentiroso. Por isto, quem fala mentira fala do que é seu. Logo, para falar a verdade, falarei do que é teu. Eis que nos deste para alimento toda erva que dá semente sobre toda a terra, e toda árvore que tem em si o fruto de sua semente. E não foi somente a nós que deste esse alimento, mas também a todos os pássaros do céu, aos animais da terra e às serpentes, mas não aos peixes e aos grandes cetáceos. Dizíamos que esses frutos da terra significam e figuram em alegoria as obras de misericórdia, que a terra frutífera produz para as necessidades desta vida. Era comparável a uma terra assim o piedoso Onesíforo, cuja casa recebeu a graça de tua misericórdia, porque muitas vezes assistira a teu Paulo, não se envergonhando de suas cadeias. É o que também fizeram os irmãos que, da Macedônia, supriram o que lhe faltava, frutificando com tal fruto. E como o Apóstolo se queixa de certas árvores que não lhe tinham dado o fruto devido, quando escreve: “Em minha primeira defesa ninguém me socorreu; todos me abandonaram. Não lhes seja isto imputado!” Porque esses frutos são devidos aos que nos ministram doutrina de razão, fazendo-nos compreender os mistérios divinos. E nós lhes devemos isto como a homens, como a almas vivas, que se oferecem à imitação em toda continência; e também lhes são devidos como a pássaros do céu, por causa de suas bênçãos, que se multiplicam sobre a terra, porque seu som se espalhou por toda a terra.

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