Senhor, do mesmo modo que crias e proporcionas alegria e força, eu te peço que nasça da terra a verdade, e que a justiça lance os olhos sobre nós do alto dos céus, e que se façam luminares no firmamento! Dividamos nosso pão com o que tem fome, acolhamos em nossa morada o pobre sem teto, vistamos o que está nu, e não desprezemos os de nossa própria carne! Quando tais frutos nascem de nossa terra, vê que isso é bom; e que irrompa, a seu tempo, nossa luz; e que, dessa messe inferior da ação, elevando-nos às delícias da contemplação e alcançando no alto o Verbo da Vida, apareçamos no mundo como luminares, presos ao firmamento de tua Escritura. É lá que nos ensinas a distinguir entre as realidades inteligíveis e as realidades sensíveis, entre as almas dadas às realidades inteligíveis e as almas que se entregam às realidades sensíveis, como entre o dia e a noite. Deste modo, já não és só tu que, no segredo de teu discernimento, divides entre a luz e as trevas, como antes da criação do firmamento; também tuas criaturas espirituais, ordenadas nesse mesmo firmamento, agora que tua graça se manifestou através do mundo, brilham sobre a terra, separam o dia da noite e marcam os tempos. Porque as coisas antigas são passadas, e eis que tudo é novo; nossa salvação está mais próxima do que quando começamos a crer; a noite vai adiantada, e o dia se aproxima; abençoas a coroa de teu ano; envias os operários de tua bondade à tua messe, semeada pelo trabalho de outros operários; mandando-os também para outra sementeira, cuja messe está no fim dos séculos. Assim concedes os desejos a quem os pede, e abençoas os anos do justo. Mas continuas eternamente o mesmo, e em teus anos, que não passam, preparas um celeiro para os anos que passam. Porque, por desígnio eterno, em seus tempos próprios concedes os bens celestes sobre a terra.
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