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Mas o Pai e o Filho também não pairavam por sobre as águas? Se os imaginamos como um corpo em um espaço, isso não é verdade nem quanto ao Espírito Santo. Se se entender por isso a excelência imutável da divindade acima de tudo o que é mutável, então o Pai, o Filho e o Espírito Santo pairavam por sobre as águas. Mas por que o texto não menciona senão teu Espírito? Por que se menciona apenas a seu respeito um lugar onde ele estava, e que, no entanto, não é um lugar? Também apenas dele se disse que era teu dom, e é em teu dom que repousamos; é nele que gozamos de ti. Nosso repouso é nosso lugar. Eis até onde o amor nos levanta, e teu bom Espírito exalta nossa baixeza, longe das portas da morte. A paz, para nós, reside na boa vontade. Os corpos tendem por seu peso para o lugar que lhes é próprio; mas um peso não tende apenas para baixo; tende para o lugar que lhe é próprio. O fogo sobe, a pedra cai. Cada um é movido por seu peso e tende a seu lugar. O óleo, derramado por baixo da água, eleva-se acima dela; a água, derramada por cima do óleo, mergulha abaixo dele; ambos são arrastados por seu peso e procuram o lugar que lhes é próprio. As coisas que não estão em seu lugar se agitam; mas quando o encontram, descansam. Meu peso é meu amor; para onde quer que eu vá, é ele quem me leva. Teu dom nos inflama e nos eleva: ardemos e caminhamos. Subimos os degraus do coração e cantamos o cântico dos degraus. É com teu fogo, com teu fogo benfeitor, que ardemos e caminhamos, subindo para a paz de Jerusalém. Regozijei-me com aqueles que me disseram: “Vamos para a casa do Senhor!” Ali nos colocou a boa vontade, para não querermos outra coisa senão permanecer ali eternamente.

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