Feliz a criatura que não conheceu outro estado! Não seria o que é se, apenas criada, teu dom, que paira por sobre todas as coisas mutáveis, não a tivesse elevado, sem nenhum intervalo de tempo, por aquele apelo em que disseste: “Faça-se a luz”, e a luz foi feita. Em nós, o tempo em que éramos trevas e o tempo em que nos tornamos luz são dois tempos distintos. Mas dessa criatura se disse o que ela teria sido, se não fosse iluminada. Fala-se dela como se tivesse sido flutuante e tenebrosa, para nos descobrir a causa que a transformou, isto é, que a voltou para a luz inextinguível, para que também fosse luz. Quem o puder, compreenda; quem não o puder, que te peça a graça de o compreender. Por que há de molestar a mim, como se eu fosse a luz que ilumina a todo homem que vem a este mundo?
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