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Quanto ao que disseste no começo da Criação — “Faça-se a luz, e a luz foi feita” —, eu o entendo, sem incongruência, da criatura espiritual, que já era uma espécie de vida apta a receber tua luz. Mas do mesmo modo que ela não tinha merecido de ti ser dessa espécie de vida apta a receber a luz, assim, uma vez criada, ela não mereceu de ti essa iluminação. Porque sua falta de forma não te agradaria se não se tivesse tornado luz, não pela mera existência, mas contemplando a luz que a iluminava, unindo-se intimamente a ela. Assim, ela não devia a existência, e a existência feliz, senão à tua graça, voltada, por uma feliz transformação, para o que não pode mudar nem para melhor, nem para pior. Porque só tu existes, só teu ser é simples, pois, para ti, viver e viver feliz não são coisas distintas, porque és tua própria felicidade.

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