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Que faltaria, pois, a esse bem, que se confunde com teu ser, se não existisse nenhuma dessas criaturas, ou se todas tivessem permanecido informes? Tu as criaste, não porque tiveste necessidade delas, mas levado pela plenitude de tua bondade, impondo-lhes, comunicando-lhes uma forma, sem que tua felicidade aumentasse com isso. Perfeito como és, não gostas de sua imperfeição; tu as aperfeiçoas para que elas te agradem; não és um ser imperfeito, que necessitasse de sua perfeição para se aperfeiçoar. Com efeito, teu bom Espírito era levado por sobre as águas, e não pelas águas, como se nelas descansasse. Aqueles nos quais se diz que teu Espírito descansa, a estes ele faz repousar em si. Incorruptível, imutável, bastando-se a si mesma, tua vontade era levada por sobre a vida que tinhas criado, para a qual viver não é o mesmo que viver feliz, porque ela vive, mesmo quando flutua nessas trevas; mas falta-lhe ainda voltar-se para seu Criador, para viver cada vez mais perto da fonte da vida, para ver a luz em sua luz, e nela haurir perfeição, brilho e felicidade.

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