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Pois é pela plenitude de tua bondade que tua criatura subsiste: assim, um bem que em nada te aproveitava e que não provinha de tua substância, para não ser igual a ti, não deixou contudo de existir, porque pôde ser feito por ti. Com efeito, que poderiam merecer de ti o céu e a terra, que criaste no Princípio? Que proclamem o que mereceram de ti a natureza espiritual e a corporal, que criaste em tua Sabedoria, para que dela dependessem, ainda inacabadas e informes, cada qual em seu gênero — espiritual ou corporal —, inclinando-se à desmedida e a uma remota dessemelhança de ti. O ser espiritual informe é superior a um corpo formado; o corporal informe, superior a não ser coisa alguma. Assim permaneceriam informes, pendentes de teu Verbo, se pelo mesmo Verbo não fossem reconduzidas à tua unidade, não recebessem forma e não se tornassem, graças a ti, único sumo Bem, todas muito boas. Que te mereceram para existir ao menos informes, elas que nem isso seriam se não viessem de ti?

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