Para outros essas palavras já não são ninho, mas vergel ensombreado onde se descobrem a eles os frutos ocultos que procuram e bicam, voando alegremente e gorjeando. Quando leem ou ouvem as palavras de Moisés, veem que tua estável e eterna permanência, ó Deus, domina todos os tempos passados e futuros, e que, por conseguinte, não existe criatura temporal que não seja obra tua. Veem que tua vontade, confundindo-se com teu ser, criou todas as coisas sem ser modificada, sem que nasça nela uma decisão que não existisse antes; que criaste todas as coisas, não de ti, como tua semelhança e forma de todas as coisas, mas do nada, como dessemelhança informe, que haveria de ser formada por tua semelhança, voltando a ti, o Uno, segundo a medida antecipadamente fixada e concedida a cada realidade, de acordo com sua espécie. Veem assim que todas as obras da Criação são excelentes, ou porque permanecem a teu redor, ou porque, colocadas mais ou menos longe de ti no tempo e no espaço, fazem ou sofrem as magníficas vicissitudes do mundo. Veem essas coisas, e por isso se alegram na luz de tua verdade, tanto quanto podem com suas poucas forças.
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