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Mas quem de nós, entre tantas verdades possíveis, que se oferecem aos estudiosos sob as diversas interpretações de tuas palavras, saberá descobrir essas intenções e poderá declarar com segurança: “Eis o pensamento de Moisés, eis como ele quer que se entenda sua narração”? Quem poderá declará-lo com a mesma segurança com que declara ser isto verdadeiro, quer Moisés tenha tido esse pensamento, quer tenha tido outro? Por mim, meu Deus, eis que eu, teu servo, que te dediquei nesta obra o sacrifício de minhas confissões e que peço que, por tua misericórdia, eu te cumpra meus votos, declaro com perfeita segurança que criaste todas as coisas, as invisíveis e as visíveis, mediante tua palavra imutável. Mas poderei dizer com a mesma confiança que Moisés teve esse pensamento, e não outro, quando escreveu: “No princípio, criou Deus o céu e a terra”? Porque, assim como vejo essa verdade com certeza em tua verdade, não vejo com a mesma certeza, na mente dele, que tenha sido isto o que pensava ao escrever essas palavras. Por essa expressão “no princípio” pode ter entendido “no começo da Criação”. Pelos termos de céu e de terra, pode querer dar-nos a entender, não a natureza espiritual e corporal, já formada e perfeita, mas uma e outra, apenas esboçada e ainda informe. Vejo que ambos os sentidos são igualmente plausíveis. Mas em qual dos dois pensava Moisés quando escrevia essas palavras eu não o posso distinguir tão bem. Aliás, quer sua intenção, ao exprimir essas palavras, fosse um desses dois sentidos ou algum outro que não indiquei, eu não poderia duvidar de que tão grande homem tenha visto a verdade e a tenha formulado convenientemente.

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