Pular para o conteúdo

Ouço e examino todas essas opiniões, mas não quero discutir por questões de palavras, o que não serve para nada, senão para confusão dos ouvintes. Pelo contrário, a lei é boa para a edificação, se dela se faz uso legítimo, porque sua finalidade é a caridade que nasce de um coração puro, de uma boa consciência e de uma fé não fingida. Nosso Mestre bem sabe quais os dois preceitos de que suspendeu toda a Lei e os Profetas. A mim, que os confesso ardorosamente, ó meu Deus, Luz de meus olhos no secreto, que mal me faz que eu possa encontrar sentidos diferentes para essas palavras, todos verdadeiros? Que me prejudica, digo eu, se compreendo essas palavras de modo diferente do que outro pensa ter sido o sentido do que as escreveu? Nós todos que o lemos procuramos averiguar e compreender o que quis dizer o autor que lemos. E, como o julgamos verídico, não temos a temeridade de admitir que ele pudesse dizer o que sabemos ou o que consideramos falso. Assim, nesses esforços que cada um fez para compreender, na Escritura Sagrada, o verdadeiro pensamento do escritor, onde está o mal se o leitor considera verdadeiro o sentido que tu, Luz de todas as inteligências sinceras, lhe fazes parecer verdadeiro, embora não tenha sido este o pensamento do autor que lemos, levando-se em conta que ele, pensando de outra maneira, só pensou verdades?

Remover destaque