A verdade, Senhor, é que criaste o céu e a terra. A verdade é que o Princípio é tua Sabedoria, na qual criaste todas as coisas. A verdade é que este mundo visível compõe-se de duas grandes partes, o céu e a terra, expressões que resumem todas as realidades criadas e formadas. É verdade também que tudo o que está sujeito a mudança evoca a nosso pensamento a ideia de algo informe, suscetível de tomar forma, de mudar e de se transformar. A verdade é que uma criatura tão intimamente unida a uma forma imutável que, embora sujeita a mudanças, nunca se transforma, não está sujeita ao tempo. A verdade é que a ausência de forma, que é quase o nada, não pode conhecer as vicissitudes do tempo. A verdade é que a matéria de que uma coisa é feita, se assim podemos falar, toma o nome dessa coisa, e que assim podemos chamar de céu e de terra a essa massa informe com a qual foram feitos o céu e a terra. A verdade é que, de tudo o que recebeu forma, nada há que esteja mais perto do informe que a terra e o abismo. A verdade é que não apenas tudo o que foi criado e formado, mas ainda tudo o que poderia ser criado e formado é obra tua, tu que és o autor de tudo quanto existe. A verdade é que tudo o que é formado, de matéria informe, primeiro é informe, e depois recebe forma.
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