Com efeito, eles dizem: “Sem dúvida, isso é verdade, mas não era nisso que Moisés pensava quando, inspirado pelo Espírito Santo, dizia: ‘No princípio criou Deus o céu e a terra.’ Não, pela palavra céu ele não quis significar essa criatura espiritual ou intelectual, que contemplaria eternamente a face de Deus; e pela palavra terra uma matéria informe. Que quis dizer então? O que dizemos nós, respondem, isso é o que Moisés quis dizer, e o que expressou naquelas palavras. E que foi que ele disse? Pelas palavras céu e terra quis significar, em primeiro lugar, globalmente e de forma reduzida, todo este mundo visível, para em seguida pormenorizar, enumerando os dias, e como artigo por artigo, esse conjunto que aprouve ao Espírito Santo designar com uma expressão global. O povo rude e carnal ao qual falava compunha-se de tais homens que, segundo pensava, ele não podia dar-lhes a conhecer senão as obras visíveis de Deus.” Quanto a esta terra invisível e caótica, a este abismo de trevas com que, durante aqueles dias, foram sucessivamente criadas e ordenadas todas as coisas visíveis que são conhecidas de todos, eles concordam comigo em que se pode entender com isso, sem erro, essa matéria informe de que falei.
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