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Mas como o futuro, que ainda não existe, pode diminuir ou esgotar-se? Como o passado, que não existe mais, pode aumentar, senão porque no espírito, autor dessas transformações, se realizam três ações: o espírito expecta, está atento e se recorda. O objeto de sua expectação passa pela atenção e se transforma em memória. Com efeito: quem ousará negar que o futuro ainda não existe? Contudo, a expectação do futuro já está no espírito. E quem poderá contestar que o passado já não existe? Contudo, a memória do passado ainda está no espírito. Enfim, haverá alguém que negue que o tempo presente carece de espaço, porque passa num instante? Contudo, perdura a atenção, pela qual aquilo que virá caminha para se tornar ausente. O futuro, portanto, não é longo, porque não existe. Um futuro longo é uma longa expectação do futuro. Nem é longo o passado, que também não existe. Um passado longo é uma longa memória do passado.

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