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Vou cantar um cântico que conheço. Antes de começar, minha expectação se estende pelo cântico inteiro. Quando começo, tudo o que dele vou destacando para o passado estende-se em minha memória. E a vida desta minha ação se distende em memória, por causa do que já disse, e em expectação, por causa do que vou dizer. Contudo, presente está minha atenção, pela qual se traslada o que era futuro para se tornar passado. Quanto mais se prolonga essa operação, tanto menor se torna a expectação e tanto maior a memória, até o momento em que a expectação se esgota completamente e, terminada, a ação passa inteiramente para a memória. O que acontece com o cântico tomado em seu conjunto acontece também com cada uma de suas partes e com cada uma de suas sílabas; acontece ainda com uma ação mais extensa, da qual talvez esse cântico seja apenas uma pequena parte; com toda a vida do homem, cujas partes são todas as suas ações; e, enfim, com todo o século dos filhos dos homens, cujas partes são todas as vidas humanas.

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