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Deus creator omnium [Deus, Criador de tudo quanto existe]: esse verso é formado de oito sílabas, alternadamente breves e longas. As quatro breves — a primeira, a terceira, a quinta e a sétima — são simples em relação às quatro longas: a segunda, a quarta, a sexta e a oitava. Cada sílaba longa tem uma duração duas vezes maior que a breve. Pronuncio-as, repito-as, vejo que é assim, segundo o testemunho evidente de meus sentidos. Tanto quanto esse testemunho é digno de fé, meço uma longa por uma breve, e noto que ela a contém duas vezes. Mas, como uma sílaba só se faz ouvir depois de outra, se a breve vem em primeiro lugar, e a longa a segue, como poderei reter a breve, como aplicá-la à longa, a fim de medi-la e ver que esta contém aquela duas vezes, sendo certo que a longa só começa a vibrar quando a breve deixou de fazê-lo? E a própria sílaba longa, acaso a meço como presente, sendo certo que só a meço quando terminou? Mas, para ela, terminar é passar. Que é pois o que meço? Onde está a breve, que é minha medida? Onde está a longa, que meço? Ambas vibraram, foram-se, passaram, e não existem mais. Não obstante, eu as meço e respondo com segurança, tanto quanto se pode confiar em um sentido exercitado, que evidentemente uma é simples e a outra dupla, quanto ao espaço de tempo. Mas só poderei fazer isso depois que ambas passaram e terminaram. Logo, eu não meço as sílabas, que não existem mais, mas algo que permanece gravado em minha memória.

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