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Eis, portanto, esse tempo presente, o único em que achamos títulos para ser chamado de longo, reduzido ao espaço de um só dia. Mas, examinemos esse único dia, porque nem mesmo ele é todo presente. Compõe-se de um total de vinte e quatro horas, do dia e da noite: relativamente à primeira hora, todas as outras são futuras; relativamente à última hora, todas as outras são passadas; cada hora intermediária tem atrás de si horas passadas e diante de si horas futuras. Mas também essa única hora é composta de fragmentos fugitivos; tudo o que dela correu é passado, e tudo o que ainda lhe resta é futuro. Se se puder conceber um tempo tal que não possa ser dividido em partículas de instantes, por menores que sejam, só esse tempo poderá ser chamado de presente, mas esse instante voa tão rapidamente do futuro para o passado que não se estende por nenhuma demora. Pois, se se estende, divide-se em passado e futuro; o presente, porém, não tem extensão alguma. Onde está, pois, o tempo que podemos chamar de longo? Será acaso o futuro? Mas nós não dizemos que o futuro é longo, porque ainda não existe, e por isso não pode ser longo. Mas dizemos: “Será longo.” Quando então dar-se-á isso? Se atualmente ele ainda está no futuro, não pode ser longo: não existindo ainda, não pode ser longo. Se não deve ser longo senão na hora em que, emergindo do futuro, que ainda não existe, começar a ser e a se tornar presente, de sorte que possa ser uma realidade suscetível de ser longa, nesse caso o presente nos clama com as palavras que acima dissemos, que ele não pode ser longo.

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