Pular para o conteúdo

Mas vejamos, ó alma humana, se um tempo presente pode ser longo, porque foi-te dado o poder de sentir e de medir os momentos. Que me respondes? Por acaso cem anos presentes são um tempo longo? Vê, primeiro, se cem anos podem ser presentes. Se se trata do primeiro ano que corre, está presente; mas os outros noventa e nove ainda são futuros, e por isso ainda não existem. Mas se estamos no segundo ano, já temos um ano no passado, o segundo presente, e todos os outros são futuros. Desse período de cem anos, seja qual for o ano que supomos presente, todos os que o precederam serão passados, e todos os que se lhe seguirem serão futuros. Portanto, os cem anos não podem estar simultaneamente presentes. Vê agora se, pelo menos, o ano que corre é presente. Se estamos no primeiro mês, os outros são futuros. Se estamos no segundo, o primeiro já será passado, e os demais ainda são futuros. Assim o ano que corre não está todo presente; e como não está todo presente, não é portanto verdade dizer-se que o ano esteja presente, porque um ano compõe-se de doze meses, e seja qual for o mês que se considerar, o único mês presente é o mês em curso. Mas o mês em curso não é presente, mas somente o dia. Se estamos no primeiro dia, todos os outros são futuros; se estamos no último, todos os outros são passados; se estamos num dos dias intermediários, esse dia está entre os dias passados e os futuros.

Remover destaque