Pular para o conteúdo

Contudo, dizemos que o tempo é longo ou breve, coisas que só podemos dizer do passado e do futuro. Por exemplo, chamamos longos os cem anos passados antes do momento em que falamos, e longos os cem anos que se seguirão a esse momento; um passado breve, por exemplo, são os dez dias anteriores ao dia em que estamos, e breve futuro os dez dias seguintes. Mas como pode ser longo ou curto o que não existe? O passado não existe mais e o futuro não existe ainda. Por isso não dizemos: “O passado é longo”, mas dizemos do passado: “Foi longo”, e do futuro: “Será longo.” Senhor, que és minha luz, será que tua verdade não rirá também aqui do homem? Porque esse tempo passado foi longo quando já havia passado ou quando ainda estava presente? Porque ele podia muito bem ser longo enquanto existia alguma coisa que pudesse ser longa. Mas uma vez passado, não existia mais: donde se segue que não podia ser longo, porque já deixara de existir. Não digamos, portanto: “O tempo passado foi longo”, porque não encontraremos nele nada que fosse suscetível de ser longo; uma vez passado, não existe mais. Mas digamos: “O tempo presente foi longo”, porque só era longo quando era presente. Ainda não havia passado, ainda não havia deixado de existir, e por isso era suscetível de ser longo. Mas, depois de ter passado, imediatamente deixou de ser longo, tendo cessado de existir.

Remover destaque