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Diariamente estamos às voltas com essas tentações, Senhor, somos tentados sem trégua. A língua dos homens é uma fornalha onde todos os dias somos postos à prova. Também neste ponto nos mandas a continência: dá o que mandas, e manda o que quiseres. Sobre este ponto conheces os gemidos que meu coração dirige a ti, os rios de lágrimas que brotam de meus olhos. Para mim é difícil distinguir em que medida sou purificado dessa peste, e tenho muito medo de minhas faltas ocultas, que teus olhos conhecem e que meus olhos ignoram. Para os outros gêneros de tentação, tenho meios para me examinar, mas neste quase nenhum. Eu sei até que ponto me tornei senhor de minha alma a respeito dos prazeres da carne e das vãs curiosidades, quando me vejo privado de tais coisas por minha vontade ou por necessidade. Então pergunto a mim mesmo se é mais ou menos desagradável ver-me privado desses dons. Quanto às riquezas, que se cobiçam para servir a uma dessas três concupiscências, ou a duas delas, ou a todas, se a alma não pode perceber se as despreza enquanto as possui, pode também abandoná-las, para se pôr à prova. Mas para se furtar aos louvores e experimentar nosso poder nesse ponto, será acaso necessário levar uma vida má, infame, horrível, a ponto de ninguém nos conhecer sem nos detestar? Pode-se dizer ou conceber maior loucura? Se o louvor é o companheiro habitual e devido de uma vida boa e de boas obras, não convém abandonar nem essa companhia nem a própria vida boa. Contudo, não distingo se a privação de um bem me é indiferente ou penosa senão na ausência desse bem.

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