Nessa imensa floresta, cheia de insídias e de perigos, já cortei muitas coisas, lançando-as para fora de meu coração. A força para isso recebi-a de ti, Deus de minha salvação. E, contudo, quando ousarei dizer, na vertigem cotidiana de tantas tentações de toda espécie que atormentam minha vida, quando ousarei dizer que nada disto mais atrai minha atenção, meus olhares, e não cativa minha vã curiosidade? É fora de dúvida que o teatro já não me atrai; não me preocupo mais em conhecer o curso dos astros; minha alma jamais consultou as sombras; tenho horror de todos os ritos sacrílegos. Mas quantas maquinações inventa o inimigo para me sugerir que te peça algum milagre, a ti, Senhor, meu Deus, a quem devo humildes e simples cuidados de servidor! Eu te conjuro, por nosso Rei, por nossa pura e casta pátria, Jerusalém, que o pensamento de consentir nessas coisas, que agora está longe de mim, cada vez mais se afaste de mim! Mas quando te peço algo pela salvação de uma alma, a finalidade de minha intenção é bem diferente: e tu me dás, e me darás, a graça de seguir de bom grado a ti, que fazes o que queres.
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