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Ouço a voz de meu Deus, que ordena: “Não se façam pesados vossos corações com a intemperança e a embriaguez.” A embriaguez está longe de mim: que tua misericórdia não permita que ela se aproxime. Mas a intemperança do alimento chega às vezes a introduzir-se em teu servo: tua misericórdia há de afastá-la de mim, porque ninguém pode ser continente, se tu não o deres. Muitas coisas nos concedes quando oramos, e tudo o que recebemos de bom, antes mesmo de pedir, é a ti que o devemos ainda. E o mesmo ato de reconhecer esses dons como teus é ainda graça tua. Nunca estive embriagado, mas conheci muitos viciados na bebida que se tornaram sóbrios por ti. Assim, é graças a ti que alguns não são o que nunca foram; e também é graças a ti que outros não são mais o que foram; é graças a ti, enfim, que estes e aqueles sabem a quem devem essa graça. Ouvi ainda de ti outra palavra: “Não corras atrás de tuas concupiscências e reprime tua vontade.” Tua graça ainda me fez ouvir outra palavra, de que tanto gostei: “Se comemos, nada teremos de mais; e se não comemos, nada de menos.” Por outras palavras: nem isto me fará rico, nem aquilo pobre. E ouvi ainda esta outra: “Aprendi a me contentar com o que tenho: sei viver na abundância e suportar a necessidade. Tudo posso naquele que me dá forças.” Assim fala o soldado da milícia celeste: nada que se assemelhe ao pó que somos. Mas, Senhor, lembra-te de que somos pó, e que de pó fizeste o homem; que o homem se perdeu e que foi encontrado. Formado do mesmo pó que nós, nada pôde por si mesmo aquele cujas palavras inspiradas por ti tanto amei: “Tudo posso naquele que me dá forças.” Dá-me forças, a fim de que eu possa. Dá o que mandas e manda o que quiseres. Paulo confessa que tudo recebeu de ti, e, quando se gloria, é no Senhor que ele se gloria. Ouvi também a um outro que te pedia: “Afasta de mim as concupiscências do ventre.” De onde se conclui claramente, ó Deus santo, que dás a força de cumprir o que mandas.

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