Bom Pai, tu me ensinaste que tudo é puro para os puros, mas que é mau para o homem comer com escândalo; que tudo o que fizeste é bom, e que nada deve ser rejeitado do que se recebe com ação de graças; que os alimentos não nos recomendam a Deus; que ninguém nos deve julgar pela comida ou pela bebida; que o que come não deve desprezar o que não come, e que o que não come não deve julgar o que come. Por essas lições, graças te sejam dadas; louvores a ti, meu Deus, meu Mestre, que bates a meus ouvidos e iluminas meu coração. Livra-me de toda tentação. Não é a imundície dos alimentos o que temo, mas a imundície da cobiça. Sei que Noé teve permissão de comer toda espécie de carne que pudesse servir de alimento, e que Elias comeu carne para reparar as forças; sei que João Batista, asceta admirável, não se manchou com os animais — os gafanhotos — de que se alimentava. Eu sei, pelo contrário, que Esaú deixou-se enganar por um prato de lentilhas; que Davi se repreendeu a si próprio por ter desejado água; que nosso Rei foi submetido à tentação, não de carne, mas de pão. Por isso o povo foi justamente repreendido no deserto, não por ter desejado comer carne, mas porque esse desejo o fez murmurar contra o Senhor.
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