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Por acaso não és poderoso, Deus onipotente, para curar todas as enfermidades de minha alma, abolindo também, por superabundância de graça, os movimentos lascivos de meu sono? Cada vez mais, Senhor, aumentarás o número de tuas bondades para comigo, a fim de que minha alma, livre do visco da concupiscência, me siga até chegar a ti, a fim de que não se insurja contra si mesma, e que, mesmo durante o sono, sob a influência de imagens bestiais, não só não cometa essas torpezas degradantes até a lascívia carnal, mas que nem mesmo consinta nisso. Não é muito para ti, ó Todo-Poderoso, que podes fazer por nós mais do que pedimos e compreendemos, conceder que nada de semelhante me dê prazer, nem sequer o mínimo que um aceno possa reprimir, mesmo no casto afeto de quem dorme — e isso não só nesta vida, mas nesta minha idade mesma. Agora, disse a meu bom Senhor em que estado me encontro neste gênero de misérias, alegrando-me com tremor, pelos dons que já me concedeste e gemendo pelo que ainda há em mim de inacabado. Espero que aperfeiçoarás em mim tuas misericórdias, até a paz total de que gozarão em ti meu ser interior e exterior, quando a morte for devorada pela vitória.

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