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Quando chegou o momento, levou-se o corpo; fomos e voltamos sem lágrimas. Nem mesmo nas orações que te fizemos, enquanto se oferecia o sacrifício de nosso resgate por intenção da morta, cujo cadáver jazia junto ao sepulcro antes de ser depositado, como ali é costume, nem mesmo nessas orações, digo, chorei. Mas durante todo o dia andei muito triste, interiormente, pedindo-te como podia, com a mente perturbada, que curasses minha dor. Mas não o fazias, creio que para gravar bem em minha memória, ao menos por esta única experiência, como é forte o vínculo de todo costume, mesmo contra uma mente que já não se alimenta de palavras enganosas. Decidi-me então a ir aos banhos, por ter ouvido dizer que a palavra banho (bálneo, em latim) vinha dos gregos, que o chamaram balanéion (lançar), porque o banho lançava da alma as tristezas. Mas eu o confesso à tua misericórdia, ó Pai dos órfãos: depois do banho fiquei como estava antes de me banhar, porque meu coração não transudou nem uma gota do fel de sua tristeza. Depois adormeci. Ao despertar, constatei uma diminuição sensível em minha dor; só, em meu leito, lembrei-me dos versos cheios de verdade de teu Ambrósio. Porque Tu és Deus, criador de quanto existe, De todo o mundo supremo governante, Que o dia vestes com tua luz brilhante, E de grato sono a noite triste A fim de que aos membros cansados O descanso ao trabalho prepare E as mentes fatigadas repare E liberte os peitos de pena oprimidos.

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