Pular para o conteúdo

Reprimido, pois, o pranto do menino, Evódio pegou o saltério e começou a cantar um salmo. Toda a casa lhe respondia: “Misericórdia e justiça te cantarei, Senhor.” Conhecida a notícia de sua morte, vieram muitos irmãos e mulheres religiosas, e, enquanto os encarregados preparavam os funerais de acordo com o costume, retirei-me para um lugar adequado, junto com os amigos que julgavam conveniente não me deixar só. Falava com eles sobre assuntos próprios das circunstâncias; e com este lenitivo da verdade mitigava meu tormento, conhecido de ti, mas ignorado por eles. Eles me ouviam atentamente, julgando-me sem sentimento nem dor. Mas eu, em teus ouvidos, onde ninguém me podia escutar, censurava a brandura de meu afeto e reprimia aquela torrente de tristeza, que cedia por algum tempo, mas que novamente me arrastava com seu ímpeto, embora não chegasse a derramar lágrimas ou a alterar o semblante. Somente eu sabia quão oprimido estava meu coração! E como me desagradava sobremaneira que tivessem tanto poder sobre mim estas desgraças humanas, que forçosamente têm de suceder conforme a ordem natural e a sorte de nossa condição, sofria com outra dor a minha própria dor, e uma dupla tristeza me consumia.

Remover destaque