Tu, que fazes morar na mesma casa os que têm uma só alma, trouxeste para nossa companhia a Evódio, jovem de nosso município que, militando como agente do imperador, se convertera antes de nós, e recebendo o batismo abandonara a milícia do século, alistando-se na tua. Estávamos juntos, e juntos pensávamos viver em santa concórdia. Buscávamos o lugar onde mais utilmente te pudéssemos servir, e juntos voltávamos para a África, quando, chegando a Óstia Tiberina, morreu minha mãe. Muitas coisas passo por alto, porque tenho pressa. Recebe minhas confissões e ações de graças, meu Deus, pelas inúmeras bondades que passo em silêncio. Mas não calarei o que minha alma dá à luz a respeito desta tua serva, que me deu à luz na carne, para esta luz temporal, e no coração, para a luz eterna. Não referirei os seus dons, mas os dons que lhe deste, porque nem ela se fez a si mesma, nem a si mesma se havia educado. Foste tu quem a criou, pois nem seu pai nem sua mãe sabiam o que viria a ser aquela que deles nascera. A vara de teu Cristo, o governo de teu Filho único, educou-a em teu temor, em uma casa fiel, bom membro de tua Igreja. Nem ela mesma exaltava tanto o zelo de sua mãe em educá-la quanto o de uma velha serva, que carregara seu pai quando menino como hoje as meninas maiores costumam carregar as crianças, às costas. Estas recordações, sua idade avançada e ótimos costumes lhe asseguravam naquela casa cristã o respeito de seus amos, razão pela qual ela própria cuidava solicitamente das meninas que lhe haviam sido confiadas, quer repreendendo-as quando havia mister, com santa e enérgica severidade, quer instruindo-as com discreta prudência. Além das horas em que comiam uma sóbria refeição à mesa de seus pais, embora se abrasassem de sede, nem água deixava que elas bebessem, precavendo com isto um mau costume e acrescentando este salutar aviso: “Agora bebeis água, porque não podeis beber vinho; mas quando estiverdes casadas, donas da despensa e da adega, a água vos parecerá desprezível, mas continuará o hábito de beber.” E unindo assim o conselho à autoridade que manda e proíbe, refreava os apetites daquela tenra idade e acostumava aquelas jovens à temperança, que excluía até o desejo do que não lhes convinha.
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