Foi também nessa época que revelaste em visão ao bispo acima nomeado o lugar em que jaziam ocultos os corpos dos mártires Protásio e Gervásio, que durante tantos anos havias conservado incorruptos no tesouro de teus segredos a fim de revelá-los oportunamente para reprimir o furor de uma mulher, além do mais, imperatriz. Com efeito, depois de descobertos e desenterrados, ao serem trasladados, com a pompa conveniente, para a basílica ambrosiana, não só foram curados os possessos atormentados pelos espíritos imundos, conforme confissão dos próprios demônios, mas também um cidadão, cego havia muitos anos, e muito conhecido na cidade, perguntou a razão daquele alvoroço e alegria populares; informado, levantou-se de um salto, e pediu a seu guia que o levasse até as relíquias. Lá chegando, conseguiu permissão para tocar com um lenço o ataúde de teus santos, cuja morte havia sido preciosa a teus olhos. Feito isto, aplicou o lenço aos olhos, que imediatamente se abriram. Depressa correu a fama do milagre, e imediatamente brilharam teus louvores ardentes, e o coração de tua inimiga, embora não chegasse à sanidade de crer, foi contudo reprimido no furor da perseguição. Graças te sejam dadas, meu Deus! De onde e para onde chamaste minha memória, para que também te confessasse estes acontecimentos que, embora grandes, eu já havia esquecido e omitido? E, contudo, quando assim se exalava o odor de teus perfumes, nós não corríamos atrás de ti. Eis o que redobrava minhas lágrimas ao ouvir teus cânticos. Outrora eu suspirava por ti, e, enfim, respirava, quanto o permite o ar de uma choça de feno.
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