Estremeci de medo, e ao mesmo tempo me abrasei de alegre esperança em tua misericórdia, ó Pai! E todos estes sentimentos saíam-me pelos olhos e pela voz quando, voltando-se para nós, teu Espírito de bondade nos diz: “Filhos dos homens, até quando sereis pesados de coração? Por que amais a vaidade e buscais a mentira?” Também eu tinha amado a vaidade e buscado a mentira. Mas tu, Senhor, já havias glorificado a teu santo, ressuscitando-o de entre os mortos e colocando-o à tua direita, de onde haveria de enviar do alto a sua promessa: o Paráclito, o Espírito da Verdade. E certamente já o tinha mandado, mas eu não o sabia. Já o tinha mandado porque já havia sido glorificado, ressuscitando de entre os mortos e subindo aos céus. Antes o Espírito ainda não tinha sido dado, porque Jesus ainda não tinha sido glorificado. Clama o profeta: “Até quando sereis pesados de coração? Por que amais a vaidade e buscais a mentira? Sabei que o Senhor já glorificou a seu santo.” Clama: “Até quando?” Clama: “Sabei!” — E eu sem o saber durante tanto tempo, amando a vaidade e buscando a mentira! Por isso, quando o ouvi, me enchi de tremor, porque me lembrei de que eu fora igual aos homens a quem tais palavras eram dirigidas. Os fantasmas que eu havia tomado pela verdade nada mais eram do que vaidade e mentira. Ah! as queixas graves e fortes que me inspirava a dor de minhas lembranças! Oxalá as tivessem ouvido os que ainda amam a vaidade e buscam a mentira! Talvez também se conturbassem e vomitassem seu erro. E tu lhes darias ouvidos quando clamassem por ti, porque morreu por nós com verdadeira morte da carne, aquele que intercede por nós diante de ti.
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