Que exclamações elevei a ti, meu Deus, lendo os salmos de Davi, cânticos de fé, hinos de piedade, que afastavam de mim todo espírito de orgulho! Eu ainda não tinha experiência de teu verdadeiro amor, e, catecúmeno, descansava na quinta com o catecúmeno Alípio. Minha mãe não nos deixava. Ao exterior de mulher ela juntava fé varonil, a calma da velhice, a caridade de mãe e a piedade de cristã. Que exclamações elevei a ti naqueles salmos, e como me inflamava com eles em teu amor, e me incendiava em desejos de recitá-los, se pudesse, ao mundo inteiro, para rebater a vanglória do gênero humano! E, contudo, em todo o mundo se cantam, e não há quem se esconda de teu calor. Com que veemente e dolorosa indignação me levantava contra os maniqueus! E de novo me compadecia deles, porque ignoravam esses sacramentos, esses remédios, investindo loucamente contra o antídoto com que poderiam ficar sãos! Gostaria que estivessem perto de mim, em qualquer lugar, e que, sem que eu soubesse que ali estavam, vissem meu rosto e ouvissem minhas exclamações quando lia o salmo quarto naquelas minhas férias, e que compreendessem o que aquele salmo fez de mim. Quando o invoquei, ouviu-me o Deus de minha justiça; na tribulação me dilataste. Compadece-te de mim, Senhor, e ouve a minha oração. Que me ouvissem, sem que eu soubesse se ouviam, para que não pensassem que era por causa deles que eu pronunciava as palavras com as quais entremeava as do Salmista, porque realmente nem eu diria tais coisas, nem as diria daquele modo, se soubesse que me viam ou ouviam; e, mesmo que as palavras fossem as mesmas, eles não as ouviriam como eu as dizia a mim mesmo, diante de ti, na íntima efusão dos afetos de minha alma.
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