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Verecundo, como disse, angustiava-se, mas Nebrídio se alegrava conosco, porque, embora também, não sendo ainda cristão, houvesse caído na fossa desse erro tão pernicioso de julgar um fantasma a carne da Verdade, teu Filho, já começava a se libertar, e, sem ter ainda recebido os sacramentos de tua Igreja, procurava ardentemente a verdade. Não muito depois de nossa conversão e regeneração por teu batismo, fez-se por fim católico fiel, servindo-te na África junto aos seus em castidade e continência perfeitas, quando já toda a sua família, por meio dele, se fizera cristã. Libertaste-o então dos laços da carne, vivendo agora no seio de Abraão, seja qual for o significado dessa expressão. Ali vive meu Nebrídio, meu doce amigo, que, de liberto, se tornou, Senhor, teu filho adotivo. Ali vive — pois que outro lugar conviria a uma alma assim? —, ali vive, nesse lugar a cujo respeito costumava perguntar muitas coisas a mim, pobre homenzinho inexperiente. Já não aproxima seu ouvido de minha boca, mas aproxima sua boca espiritual de tua fonte, e bebe, quanto pode, de tua sabedoria, segundo sua avidez, feliz para sempre. Mas não creio que se embriague tanto que se esqueça de mim, pois tu, Senhor, que és sua bebida, te lembras de nós. Essa era a nossa situação. Consolávamos a Verecundo, que, sem dano da amizade, entristecia-se com nossa conversão; nós o exortávamos à fé conforme a seu estado, isto é, à vida conjugal. Quanto a Nebrídio, esperávamos que nos seguisse, pois facilmente poderia fazê-lo, e já estava quase a ponto de se decidir. Enfim, eis que se passaram aqueles dias, que me pareceram tão longos e numerosos, tal era meu desejo de liberdade e descanso, para cantar do fundo de meu ser: “A ti disse meu coração: procurei teu rosto; teu rosto, Senhor, hei de buscar.”

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