Mas logo que uma profunda reflexão tirou do abismo misterioso de minha alma e amontoou toda a minha miséria à vista de meu coração, caiu sobre minha alma enorme tormenta, trazendo enorme chuva de lágrimas; e para derramá-las todas com seus gemidos, afastei-me de Alípio. A solidão parecia-me mais apta para o ofício de chorar, e me afastei para longe o bastante, para que nem mesmo a presença dele me fosse pesada. Tal era o estado em que me encontrava! Alípio percebeu-o, pois, não sei o que eu disse ao me levantar, com um timbre de voz que parecia carregado de lágrimas. Alípio continuou no lugar em que estávamos sentados, profundamente atônito; mas eu me lancei, não sei como, debaixo de uma figueira, e soltei as rédeas às lágrimas, e romperam rios de meus olhos, sacrifício aceitável a ti. E embora não com estas palavras, mas com o mesmo sentido, te disse muitas coisas como esta: “E tu, Senhor, até quando? Até quando, Senhor? Estarás irado para sempre? Não te lembres de nossas antigas iniquidades!” Sentia-me ainda preso a elas, e gemia, e lamentava: “Até quando? Até quando direi amanhã, amanhã? Por que não agora? Por que não nesta hora o fim de minhas torpezas?”
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