Mas isto já dizia com voz muito débil. Porque do lado para onde voltava o rosto, e onde temia passar, mostrava-se para mim a casta dignidade da continência, serena, de alegria não dissoluta, acariciando-me honestamente para que viesse e não hesitasse, estendendo para mim, para me acolher e abraçar, suas mãos piedosas, cheias de uma multidão de bons exemplos. Junto dela, uma turba de meninos e meninas, uma juventude numerosa, e pessoas de toda idade, viúvas veneráveis e virgens idosas, e em todas essas almas a mesma continência, não estéril, mas fecunda mãe de filhos, que são alegrias, de ti, seu esposo, ó Senhor! E ela zombava de mim com ironia alentadora, como se dissesse: “Então, não serás capaz de fazer o que fizeram estes homens e estas mulheres? Ou será que estes e estas encontraram forças em si mesmos, e não no Senhor, seu Deus? Foi o Senhor, seu Deus, quem me entregou a eles. Por que te apoias em ti, se não podes manter-te de pé? Lança-te nele, não temas, que ele não se afastará para que caias. Lança-te com confiança, que ele te receberá e te curará.” E enchia-me de grande vergonha, porque ainda ouvia o murmúrio daquelas bagatelas, e, vacilante, permanecia suspenso. E de novo aquela voz parecia dizer-me: “Não dês ouvidos às tentações de teus membros impuros neste mundo, a fim de que sejam mortificados. Eles te falam de deleites, porém, não conformes à lei do Senhor, teu Deus.” Essa luta em meu coração não era senão de mim mesmo contra mim mesmo. Alípio, sem se afastar de meu lado, aguardava em silêncio o desenlace de minha insólita emoção.
Remover destaque