Assim adoecia e me atormentava, acusando-me muito mais duramente que de costume, revirando-me e debatendo-me em meu grilhão, até que se rompesse por inteiro aquele laço, já tão pequeno, pelo qual eu ainda estava preso — mas preso, apesar de tudo. E tu, Senhor, urgias no íntimo de mim e, com severa misericórdia, redobravas os açoites do temor e da vergonha, para que eu não tornasse a recuar sem romper aquele resto pequeno e tênue que permanecia, deixando-o recuperar as forças e me atar ainda mais firmemente. E dizia para mim mesmo em meu íntimo: “Eia! Faça-se agora, faça-se agora!” E já quase passava da palavra à ação. Já quase o fazia, e não o fazia. Contudo, já não recaía nas antigas paixões, mas ficava ali bem perto, tomava alento e tentava de novo. Faltava pouco, cada vez menos, e já quase tocava a meta e a segurava; e, contudo, lá não chegava, nem a tocava, nem a segurava, hesitando em morrer para a morte e viver para a vida. O mal inveterado dominava-me mais do que o bem, cujo hábito eu não possuía; e o próprio momento em que me devia tornar outro homem, quanto mais se aproximava, tanto maior horror me incutia; mas não me fazia recuar nem desviar: apenas me mantinha suspenso.
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