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Com efeito, se houvesse tantas naturezas contrárias quantas são as vontades que se contradizem, não deveríamos admitir apenas duas naturezas, mas muitas. Se alguém, com efeito, delibera para saber se irá a uma de suas reuniões ou ao teatro, logo os maniqueus exclamam: “Eis aí as duas naturezas, uma boa, que o atrai para cá, e outra má, que o arrasta para lá. Senão, de onde viria essa hesitação de vontades opostas?” Mas eu digo que ambas são más, tanto a que leva a eles como a que arrasta ao teatro; mas eles só julgam boa a que leva até eles. E se um dos nossos deliberar e, altercando consigo as duas vontades, ficar indeciso entre ir ao teatro ou à nossa Igreja? Não ficarão indecisos os maniqueus na resposta que hão de dar? Porque, ou hão de confessar o que não querem, que é boa a vontade que o leva à nossa Igreja, como vão a ela os que foram imbuídos de seus sacramentos e por eles são retidos — ou hão de pensar que num mesmo homem lutam duas naturezas más e duas almas más. E então já não será verdade o que dizem, que uma natureza é boa e outra má. Ou então se convertem à verdade, e, neste caso, não negarão que, quando alguém delibera, é uma mesma alma que se agita entre vontades diversas.

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