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Desapareçam de tua presença, ó Deus, como vãos faladores e sedutores de inteligências, aqueles que, ao observarem que a vontade é dupla quando delibera, concluem que temos duas almas de naturezas diferentes, uma boa, outra má. Na realidade, os maus são eles, crendo em tais maldades; e somente serão bons se sentirem a verdade e a ela consentirem. E assim teu Apóstolo poderá dizer-lhes: “Outrora fostes trevas, mas agora sois luz no Senhor.” Mas esses homens, querendo ser luz não no Senhor, mas em si mesmos, imaginam que a natureza da alma se confunde com a de Deus; vão-se fazendo trevas ainda mais densas, porque em sua terrível arrogância se afastaram ainda mais de ti, luz verdadeira, que ilumina a todo homem que vem a este mundo. Refleti no que dizeis, e enchei-vos de confusão. Aproximai-vos dele, e sereis iluminados, e vossos rostos não serão cobertos de confusão. E eu, quando deliberava sobre consagrar-me ao serviço do Senhor meu Deus, conforme há muito tempo tinha proposto, eu era o que queria, e era eu o que não queria; eu, eu mesmo era. Mas nem queria plenamente, nem plenamente deixava de querer. Por isso lutava comigo mesmo, e me despedaçava a mim mesmo. Esse despedaçamento, embora involuntário, não mostrava, contudo, a presença em mim de uma alma estranha, mas apenas um castigo infligido à minha alma. E por isso já não era eu quem mo infligia, mas o pecado que habitava em mim, como castigo de outro pecado cometido mais livremente, porque eu era filho de Adão.

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