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Enfim, nas angústias da indecisão, fazia com o corpo mil gestos desses que os homens às vezes querem fazer e não conseguem, quando não possuem os membros, ou os têm ligados com cadeias, debilitados pela fraqueza ou paralisados de qualquer outro modo. Se puxei os cabelos, se feri a fronte, se apertei os joelhos entre os dedos entrelaçados, eu o fiz porque quis. Poderia, porém, ter querido e não ter feito, se a mobilidade de meus membros não obedecesse. Portanto, fazia muitas coisas nas quais o querer não se confundia com o poder. E, contudo, eu não fazia o que desejava com ardor incomparavelmente maior, e que eu poderia fazer desde que o quisesse, porque para o querer efetivamente bastava que o quisesse plenamente, pois nisto o poder é o mesmo que o querer, e querer já era agir. Contudo, nada fazia, e meu corpo obedecia mais facilmente à mais leve vontade da alma, movendo os membros a um aceno, do que a própria alma a si mesma, para realizar sua grande vontade só com a vontade.

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