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Mas certo dia em que Nebrídio estava ausente, não sei por que motivo, Alípio e eu recebemos a visita de um tal Ponticiano, nosso compatriota da África, que servia em alto cargo no palácio. Não sei mais o que queria de nós. Sentamo-nos a conversar, e, por casualidade, deu com os olhos em um livro que estava sobre a mesa de jogo, à nossa frente. Pegou-o, abriu-o, e, com grande surpresa sua, por certo, viu que eram as cartas do Apóstolo Paulo, porque pensava que se tratasse de algum dos livros da profissão que me esgotava. Então sorriu, olhou para mim e, cumprimentando-me, manifestou-me sua admiração por ter encontrado diante de meus olhos aquele livro, e só aquele. Ponticiano era um cristão fiel, e muitas vezes prostrava-se diante de ti, nosso Deus, na Igreja, em frequentes e prolongadas orações. E quando lhe disse que as Escrituras ocupavam o melhor de minha atenção, tomando a palavra, começou a falar-nos de Antão, monge do Egito, cujo nome era celebrado entre teus servos, mas que nós desconhecíamos até aquela hora. Sabendo disto, continuou a falar, descobrindo esse grande homem à nossa ignorância, que muito admirou. Estupefatos, ficamos ouvindo tuas maravilhas tão bem atestadas, realizadas na verdadeira fé, na Igreja Católica, em memória tão recente, quase em nossos tempos. Todos nos admiramos: nós, por serem coisas tão grandes; e ele, por ser-nos tão desconhecidas.

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