Também contarei de que modo me livraste do vínculo do desejo carnal, que tão apertadamente me prendia, e da servidão dos negócios do mundo, e confessarei teu nome, ó Senhor, meu auxílio e meu redentor. Levava a vida de costume com crescente angústia; todos os dias suspirava por ti, frequentava tua Igreja, quando me deixavam livre os negócios, cujo peso me fazia gemer. Comigo estava Alípio, livre de seus trabalhos de jurisconsulto, depois de ter sido assessor pela terceira vez. Ele aguardava a quem vender de novo seus conselhos, como eu vendia a arte da eloquência, se é que, pelo ensino, a podemos transmitir. Nebrídio, por sua vez, cedendo à nossa amizade, auxiliava na escola a nosso amigo íntimo, Verecundo, gramático e cidadão milanês, que desejava grandemente, e nos pedia, a título de amizade, que um de nós se tornasse seu fiel colaborador, pois necessitava muito de alguém que o ajudasse. Não foi, pois, o interesse que moveu a Nebrídio — que poderia ganhar mais se quisesse ensinar as letras —, mas, como amigo dulcíssimo e mansíssimo, não quis desprezar nosso pedido em obséquio à amizade. Agia, porém, com muita prudência, evitando ser conhecido dos grandes deste mundo, para poupar preocupações de espírito, que ele queria manter livre e o mais desocupado possível para investigar, ler ou ouvir algo sobre a sabedoria.
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