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Mas aquele orador era do número dos que eu amava a ponto de desejar ser como ele; mas eu andava errante por minha vanglória e era arrastado por toda espécie de vento, e muito ocultamente eras tu que me governavas. E como sei, e como te confesso com tanta certeza que amava mais a ele por amor dos que o louvavam do que pelos méritos que lhe valiam esses louvores? Porque, se em vez de o louvarem, aquelas mesmas pessoas o criticassem, e se me contassem dele as mesmas coisas, mas como censura e desprezo, certamente não me entusiasmaria por ele; não obstante, as coisas não seriam distintas nem o homem outro, mas unicamente os sentimentos dos narradores. Eis onde jaz enferma a alma débil que ainda não se apoiou na firmeza da verdade, levada e trazida, lançada e rechaçada, segundo os sopros das línguas que ventam dos peitos dos que opinam! E de tal modo se lhe obscurece a luz que não distingue a verdade, não obstante estar ela à nossa vista. Para mim era importante que aquele homem conhecesse meu estilo e meus trabalhos. Se ele os aprovasse, eu arderia ainda mais; mas, se os reprovasse, seria ferido meu coração, vão e vazio de tua solidez. Contudo, meu prazer era pensar e refletir no problema do belo e do conveniente, objeto do livro que lhe dediquei, admirando-o diante dos olhos de minha contemplação, mesmo que ninguém o louvasse comigo.

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