Então, eu nada sabia dessas coisas, e por isso amava as belezas inferiores, e caminhava para o abismo, dizendo a meus amigos: “Porventura, amamos algo que não é belo? E que é o belo? E que é a beleza? Que é que nos atrai e prende às coisas que amamos? Porque, certamente, se nelas não houvesse certa graça e formosura, de nenhum modo nos atrairiam.” E eu notava e via que nos próprios corpos uma coisa era como que o todo, e por isso belo, e outra o que lhe era conveniente, por acomodar-se de maneira perfeita a alguma coisa, como a parte do corpo em relação ao conjunto, o calçado em relação ao pé, e outras coisas semelhantes. Essa consideração brotou em minha alma do íntimo de meu coração, e escrevi alguns livros sobre o belo e o conveniente, creio que dois ou três — tu o sabes, Senhor —, pois já me esqueci, e não os tenho mais porque se me extraviaram não sei como.
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