E desceu até aqui a nossa própria Vida, e tomou sobre si nossa morte, e a matou com a abundância de sua vida, e gritou como trovão, clamando para que voltássemos a ele, para o lugar escondido de onde veio até nós, passando primeiro pelo ventre virginal, onde se desposou com ele a natureza humana, carne mortal, para não ficar sempre mortal. Dali, como o esposo que sai do leito nupcial, deu saltos como um gigante, para correr seu caminho. E não se deteve, mas correu gritando com suas palavras, com suas obras, com sua morte, com sua vida, com sua descida e com sua ascensão, clamando para que voltássemos a ele, porque, se se afastou de nossa vista, foi para que entremos em nosso coração, e ali o achemos; porque partiu, e eis que está aqui. Não quis ficar por muito tempo em nossa companhia, mas não nos abandonou. Retirou-se para lá de onde nunca se afastou, pois o mundo foi criado por ele, e no mundo estava, e ao mundo veio para salvar os pecadores. E a ele se confessa minha alma, e ele a cura, porque ela pecou contra ele. Filhos dos homens, até quando sereis duros de coração? Será possível que, depois de haver baixado a vida até vós, não queirais subir e viver? Mas para onde subis, quando estais no alto, e pondes no céu vossa boca? Descei para subir, para subir até Deus, já que caístes levantando-vos contra Deus. Dize-lhes isto, minha alma, para que chorem neste vale de lágrimas, e assim os arrebates contigo para Deus, porque é do Espírito dele que lhes dizes estas coisas, se as dizes ardendo no fogo da caridade.
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