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E que fruto tirei eu, miserável, daquelas ações que agora recordo com rubor? Sobretudo daquele furto em que amei o próprio furto, e não outra coisa? Nenhum, pois o furto em si nada valia, ficando eu mais miserável com ele. Contudo, é certo que eu sozinho não o teria praticado — a julgar pela disposição de meu ânimo na ocasião; não, de modo algum; sozinho eu não o teria feito. Portanto, amei ali também a companhia daqueles com quem o cometi. Logo, não é verdade que eu não tenha amado nada além do furto; ou antes, nada mais amei, porque também aquela companhia era nada. Mas que é na verdade? E quem mo poderá ensinar, senão o que ilumina meu coração e discerne suas sombras? De onde me vem a ideia desta pesquisa, desta discussão, destas considerações? Se eu então amei as peras que roubei, e queria apenas seu deleite, podia ter cometido sozinho, se isso bastasse, aquela iniquidade pela qual alcançaria aquele deleite, sem acender o prurido de minha cobiça com o atrito de almas cúmplices. Porém, como não achava deleite algum nas peras, ele estava no próprio crime, e era a companhia dos que pecavam comigo que o produzia.

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