Que retribuirei ao Senhor, por poder minha memória recordar todas estas coisas sem que minha alma sinta medo algum? Amar-te-ei, Senhor, e dar-te-ei graças, e confessarei teu nome, porque me perdoaste tantos males e tão nefandas obras minhas. Atribuo à tua graça e à tua misericórdia o teres dissolvido meus pecados como gelo; à tua graça atribuo também todos os males que não pratiquei. Que pecados, realmente, não poderia cometer, eu que amei até o crime gratuito? Confesso que todos já me foram perdoados, tanto os cometidos voluntariamente, como os que, guiado por ti, não cometi. Quem dentre os homens, conhecendo sua fraqueza, ousa atribuir às próprias forças sua castidade e inocência, para amar-te menos, como se tivera menor necessidade de tua misericórdia, com a qual perdoas os pecados aos que se convertem a ti? Aquele, pois, que, chamado por ti, seguiu tua voz e evitou todas essas coisas que lê de mim, e que eu recordo e confesso, não se ria de mim por haver sido curado, estando enfermo, pelo mesmo médico que o preservou de cair enfermo, ou melhor, de que adoecesse tanto. Antes, esse deve amar-te tanto e ainda mais do que eu, porque aquele por quem me vê liberto de tão grandes enfermidades de meus pecados é o mesmo por quem se vê livre de enredar-se em enfermidades iguais.
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