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E que sentimento era aquele de minha alma? Certamente, muito torpe, e ai de mim, que o alimentava! Mas que era, na realidade? E quem há que entenda os pecados? Era como um riso, como se nos fizessem cócegas no coração, porque enganávamos aqueles que não acreditavam que fizéssemos tais coisas e desejavam ardentemente que não as fizéssemos. Mas por que me deleitava não fazê-lo sozinho? Acaso porque ninguém se ri facilmente quando está só? De fato, raramente alguém ri sozinho; contudo, às vezes o riso vence até quem está só, sem que ninguém mais esteja presente, quando algo extremamente ridículo se apresenta aos sentidos ou ao espírito. A verdade é que eu sozinho nunca teria feito aquilo; não, sozinho eu jamais o teria feito. Eis diante de ti, meu Deus, a viva lembrança de minha alma; e repito que eu sozinho não teria cometido aquele furto, no qual não me deleitava aquilo que eu roubava, mas o próprio ato de roubar — o que, sozinho, não me teria agradado de modo algum, nem eu o teria feito. Ó amizade tão inimiga! Sedução inescrutável da alma, vontade de fazer mal por passatempo e brincadeira, desejo de causar dano alheio sem proveito próprio e sem vontade de vingança! E, quando se nos diz: “Vamos! Façamos!”, sentimos vergonha de não sermos desavergonhados.

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