Porém, naquele décimo sexto ano tornou-se necessária uma interrupção em meus estudos por falta de recursos familiares, e, livre da escola, tive de viver com meus pais. Levantaram-se então sobre minha cabeça os espinhos de minhas paixões, sem que houvesse mãos que mos arrancassem. Pelo contrário, meu pai, certo dia, percebendo nos banhos os sinais de minha puberdade e vendo-me revestido de inquieta adolescência, como se já se alegrasse pensando nos netos, foi contá-lo alegre à minha mãe, contente pela embriaguez com que este mundo se esquece de ti, seu criador, e ama em teu lugar a criatura, embriaguez que nasce do vinho invisível de sua perversa e mal-inclinada vontade para as coisas baixas. Mas, nessa época, já começavas a levantar no coração de minha mãe teu templo e os alicerces de tua santa morada, pois meu pai não era mais que catecúmeno, recente ainda. Por isso minha mãe sobressaltou-se com piedosa inquietação e tremor, pois, embora eu ainda não fosse cristão, temia que eu seguisse as sendas tortuosas por onde andam os que te voltam as costas, e não o rosto.
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