Por que odiava eu as letras gregas, que me ensinavam quando eu era criança? Não o sei, nem agora o posso explicar. Em compensação, as letras latinas me apaixonavam, não as que ensinavam os professores primários, mas as que são explicadas pelos chamados gramáticos, porque aquelas primeiras, com as quais se aprende a ler, a escrever e a contar, não me pareciam menos pesadas e penosas que todas as gregas. Mas donde podia proceder essa aversão, senão do pecado e da vaidade da vida, porque eu era carne e vento que caminha e não volta? Pois, sem dúvida, aquelas primeiras letras, por cujo meio poderia chegar, como ainda o faço, a ler tudo o que há escrito e a escrever tudo o que quero, eram melhores, por serem mais seguras, que aquelas outras nas quais me obrigavam a decorar os erros de um tal Eneias, esquecido dos meus, e a chorar a morte de Dido, que se suicidou por amor, enquanto eu, miserabilíssimo, suportava a mim mesmo com olhos enxutos, morrendo longe de ti em meio a tais coisas, ó meu Deus, minha vida!
Remover destaque