Na verdade, que pode haver de mais miserável do que um miserável que não se compadece de si mesmo e que, chorando a morte de Dido por amor de Eneias, não chora sua própria morte por falta de amor a ti, ó Deus, luz de meu coração, pão da boca interior de minha alma, virtude que desposa minha mente e o seio de meu pensamento? Não te amava, e fornicava longe de ti, e, fazendo-o, ouvia de todas as partes: “Muito bem! Muito bem!”, porque a amizade deste mundo é fornicação longe de ti; e se aclamam a alguém dizendo: “Muito bem! Muito bem!”, é para que se envergonhe de não ser assim. E, não chorando eu estas faltas, chorava a morte de Dido, “que se suicidou com a espada”, enquanto eu mesmo seguia as mais baixas de tuas criaturas, deixando-te a ti, terra indo para a terra, tanto que, se então me proibissem a leitura de tais coisas, me afligiria por não poder ler aquilo que me causava aflição. Não obstante, semelhante demência é considerada saber mais nobre e proveitoso que as letras pelas quais aprendi a ler e a escrever.
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