Que essa afirmação absoluta e interior a si mesma, da qual nosso próprio pensamento participa e que lhe serve de condição e suporte, seja pressuposta por todas as outras afirmações que a determinam e a limitam: eis o fundamento da universalidade e da univocidade do ser, tais como foram definidas no § 8. A partir daí, compreende-se que nossa experiência mais primitiva e mais constante seja a da participação; nela, ao descobrir o ser do eu, descobrimos o ser total sem o qual o ser do eu não poderia se sustentar. Assim, o ser do eu nos introduz na interioridade do ser, mas sem conseguir, ele mesmo, igualar-se a ela. É sem dúvida um grave erro buscar o ser naquilo que é exterior ao eu, em vez de buscá-lo nessa interioridade perfeita, da qual ele ainda está separado pelo corpo e pelo espetáculo do mundo, isto é, por tudo aquilo que o limita e que ele é obrigado a suportar. Contudo, nenhum desses aspectos ou modos do ser deixa, por sua vez, de pertencer ao ser; nenhum deixa de receber, dessa suficiência e dessa interioridade plenas, fora das quais lhe seria impossível subsistir, aquilo que permite pô-lo em sua insuficiência e em sua própria exterioridade. Não se pode defini-lo por uma relação sem que isso implique, em seu próprio ser, a presença do ser que é o fundamento supra-relacional de todas as relações. O ser de cada coisa reside, de fato, em sua modalidade concreta e particular; mas isso ocorre justamente porque essa modalidade não pode ser posta de modo independente, não apenas em relação ao ser unívoco que ela determina, mas também em relação a todas as outras modalidades que ela convoca e às quais deve permanecer unida, para que essa univocidade não seja alterada.
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