Essa análise permite compreender por que não há, acima do ser, nenhuma razão de ser da qual se pudesse derivar o próprio ser. Pois tal razão de ser implicaria o ser de algum modo. Portanto, é preciso dizer que é o ser que, ao produzir-se, produz sua própria razão de ser. Ora, se a razão de ser é verdadeiramente a interioridade de cada coisa, e se quisermos, como costuma ocorrer, considerar a própria coisa como algo que se acrescenta à razão de ser (embora ela apenas manifeste essa razão e a fenomenalize), então devemos dizer que o próprio ser se identifica com sua própria razão de ser e com a razão de ser de toda coisa. Isso basta para explicar por que ele é ato: pois o que caracteriza a razão de ser é ser a única eficácia atuante pela qual cada coisa é de fato o que é.
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