Ao que parece, podemos apresentar as coisas de outra maneira. O ser é inseparável da afirmação, mas é menos o efeito dela do que seu princípio. Ele pode, portanto, ser definido como a potência infinita da afirmação. Mas o ser é de tal modo indissociável da afirmação que se procurou encontrá-lo igualmente no atributo e no sujeito da proposição. Só que não se pode reduzi-lo ao atributo, porque é impossível conceber um termo diferente do ser, do qual ele fosse o atributo, ou para cuja formação ele contribuísse ao se reunir a outros atributos. É nessa impossibilidade de tratar o ser como atributo que se baseia a crítica de Kant ao argumento ontológico. Será preciso dizer, então, que ele é o sujeito da proposição — um sujeito que não passa de sujeito, e do qual a especulação filosófica fez a substância? Mas que poderia ser esse sujeito, se o distinguíssemos de todos os seus atributos? Somos, pois, lançados de volta a uma definição que o identifica, se não com a soma de todos os atributos, ao menos com a fonte superabundante de onde eles procedem antes que a participação os distinga e os oponha.
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